Escolher um cinturão de segurança tipo paraquedista não é comparar apenas quantidade de engates, tipo de fivela ou preço. A escolha deve resultar da Análise de Risco (AR) e da seleção técnica do sistema completo, considerando atividade, forma de acesso, posicionamento, possibilidade de queda e componentes de ligação.
Também é essencial diferenciar retenção de queda, restrição e posicionamento. Esses sistemas têm funções distintas e não autorizam o uso indiscriminado dos mesmos elementos de engate.
O cinturão de segurança tipo paraquedista deve ser constituído por fitas que abrangem da região da pélvis até os ombros. Conforme a seção 4.1 da ABNT NBR 15836:2020, ele deve ser adaptado ao usuário e, para isso, possuir meios de ajuste. A norma também estabelece que os elementos de engate para proteção contra queda estejam acima do centro de gravidade, no peito e/ou nas costas do usuário.
Já o cinturão abdominal, conforme as aplicações mencionadas pela ABNT NBR 16489:2017, pode ser usado para posicionamento ou restrição. Seu uso em restrição é aceitável desde que as forças de retenção de queda não sejam aplicáveis. Portanto, o cinturão abdominal isolado não deve ser tratado como equipamento para retenção de queda.
A expressão comercial “cinturão paraquedista abdominal” precisa ser confirmada no manual. Ela pode indicar um cinturão de segurança tipo paraquedista com função integrada de posicionamento. No contexto específico da técnica 1 de posicionamento com suporte parcial, o item 12.6.3.1 da ABNT NBR 16489:2017 recomenda dois elementos laterais na cintura ou um elemento abdominal central, mais um elemento de engate para o sistema de proteção individual contra queda.
O mesmo cuidado vale para “cinturão paraquedista 5 pontos”. A quantidade anunciada pode se referir a elementos de engate, pontos de ajuste ou outra configuração comercial. Cinco pontos não tornam o equipamento automaticamente melhor. Antes da compra, confirme no manual:
Assim, os meios de ajuste decorrem da ABNT NBR 15836:2020, enquanto a quantidade e a função dos elementos de engate devem ser verificadas conforme a atividade, a AR e as indicações do fabricante. O número total de engates não substitui a avaliação técnica.
Segundo o item 35.6.9.1 da NR-35, quando utilizado em retenção de queda, o cinturão de segurança tipo paraquedista deve ser conectado pelo elemento de engate para retenção de queda indicado pelo fabricante.
A ABNT NBR 16489:2017, página 59, identifica como elementos de engate para retenção de queda o dorsal, centralizado entre as omoplatas, e o peitoral, centralizado na parte inferior do esterno.
Elementos laterais ou o elemento abdominal central destinados ao posicionamento não devem ser presumidos como aptos à retenção de queda. A aparência do engate, por si só, não define sua função.
Também é necessário distinguir os componentes do sistema:
A necessidade de proteção contra quedas não determina, isoladamente, qual equipamento deve ser usado. A AR e a seleção técnica devem indicar o equipamento e sua configuração, respeitando a compatibilidade e as orientações dos fabricantes.
Não existe um “melhor cinturão paraquedista” de forma universal. Para eletricistas, a AR e a seleção técnica devem considerar tanto o risco de queda quanto os riscos específicos da atividade elétrica. Os trechos normativos apresentados não estabelecem propriedades elétricas que permitam classificar um modelo como adequado apenas pela palavra “eletricista”.
No caso de produto anunciado como “cinturão paraquedista abdominal eletricista engate automático MG Cinto MULT1891”, o nome comercial não comprova:
Essas informações devem ser verificadas no manual e na documentação do fabricante. “Engate automático” não substitui a confirmação da função dos elementos de engate, do ajuste e das limitações de uso.
Em síntese, a escolha deve recair sobre o equipamento que se ajuste ao usuário, atenda à atividade indicada pela AR e possua elementos de engate claramente identificados. Para retenção de queda, deve ser utilizado o cinturão de segurança tipo paraquedista, conectado ao elemento dorsal ou peitoral indicado pelo fabricante, dentro da configuração tecnicamente selecionada.
O melhor cinturão paraquedista é aquele selecionado conforme a Análise de Risco, a atividade executada, a forma de acesso, a possibilidade de queda e os componentes do sistema. A quantidade de engates, o tipo de fivela ou o preço não definem sozinhos a escolha. É necessário verificar no manual as funções e limitações de cada elemento.
A expressão “cinturão paraquedista 5 pontos” pode indicar elementos de engate, pontos de ajuste ou apenas uma configuração comercial do produto. Ter cinco pontos não torna o equipamento automaticamente melhor. Antes de comprar, verifique no manual quais pontos são engates, quais são regulagens e quais podem ser usados para retenção de queda, posicionamento ou restrição.
O cinturão abdominal isolado não deve ser tratado como equipamento para retenção de queda. Ele pode ser utilizado para posicionamento ou restrição quando as forças de retenção de queda não forem aplicáveis. Em um cinturão paraquedista com função integrada de posicionamento, é fundamental confirmar no manual a finalidade de cada engate e a configuração autorizada pelo fabricante.